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No dia 05 de setembro de 2010, o Centro Espírita Casa de Redenção Joanna de Ângelis recebeu a visita do médium Agnaldo Paviani, presidente do Centro Espírita Caminho de Damasco, psicógrafo do livro Falando Francamente, escrito em parceria com o espírito Klaus. Na ocasião, foi oferecido um seminário homônimo ao livro e o palestrante concedeu uma entrevista a respeito de mediunidade e de trabalhos na casa espírita, tomando por base suas experiências. Abaixo, disponibilizamos o resultado desse diálogo, apresentando suas principais considerações.

O ESPÍRITO KLAUS:

Eu diria que Klaus é um espírito difícil de trabalhar. Ele é muito exigente. Vou dar um exemplo para não dizerem que estou exagerando. Recentemente eu disse a ele:

— Klaus, eu não ando bem de saúde, uma dor aqui, uma dor acolá; não dá pra você pedir a uns guias, amigos seus, um passe especial, um tratamento pra mim?

Aí ele me disse:

— Meu filho, imagine que você vai comprar um carro e só tenha R$3.000,00. Que carro o senhor vai comprar?

— Com 3.000,00! Um Gol, ou um Fusca caindo aos pedaços, e olhe lá! Respondi.

Ele disse:

— Pois é. Quando o senhor foi reencarnar, o senhor só tinha R$3.000,00.

Ele tem esse humor, mas é um espírito bastante rígido, até pelo trabalho que ele faz. Em nossa casa, nós temos um trabalho de cirurgia espiritual que ele faz através de mim, toda terça-feira, às seis da tarde. Ele atende todas as pessoas que estão lá, todos os pacientes. Ele fica incorporado até meia noite, meia noite e meia, e atende uma média de 150, 160 pessoas toda terça-feira. Em um trabalho desses, é preciso uma organização, uma disciplina, uma postura ética. Mas eu tenho um prazer muito grande em trabalhar com o Klaus. Ele tem me ensinado muito, dentro dessa postura rígida.

Nós estamos nessa parceria há quatro anos, mas ele já me acompanha há um bom tempo. Quem leu o livro Falando Francamente deve ter lido, na abertura, o meu comentário sobre o problema de saúde de minha mãe. Depois daquele acontecimento, ele disse que já me acompanhava há muito tempo, mas minha mente não tinha a abertura necessária para que ele pudesse abordar os assuntos que desejava. Foi realmente um divisor de águas, pois eu sempre tive uma formação doutrinária extremamente rígida e não dava abertura para outros assuntos, para outras considerações. Depois daquele acontecimento, isso foi possível e o Dr. Klaus se apresentou para o trabalho de psicografia.

Ele tem dois livros escritos: Falando Francamente e a sua continuação, A Hora da Verdade. Ele supervisionou o livro Não Há mais Tempo, que eu não sei se vocês conhecem. É um livro também excelente, com a fala de vários espíritos. São várias dissertações, inclusive do espírito Haniere.

Há 30, 40 anos atrás algumas pessoas podiam dizer que era invencionice, que essas coisas não existiam, mas o Haniere fala sobre isso com profundidade. Eu acho que o espírita está precisando ler com maior atenção Kardec e as obras complementares. Por exemplo, no livro A Hora da Verdade, Klaus fala que há espíritos que, no plano espiritual, sofrem em calabouços e que são torturados fisicamente.

Uma pessoa certa vez me disse que achava isso impossível porque o espírito está desencarnado. Como é que a tortura pode ser física? Eu lembrei a ela que, em Nosso Lar, quando estava sofrendo no umbral, André Luiz disse que sentia todas as necessidades fisiológicas, fruto da sua consciência. Ele sentia fome, sentia sede. Se o espírito pode ter essas sensações, de certa forma ele tem um sofrimento físico. Nós não podemos esquecer que o perispírito, o corpo astral, é uma espécie de matéria; uma matéria mais sutil, mas ainda é matéria.

Então nós precisamos estudar e essa é a proposta do Klaus: trazer assuntos que possam fazer pensar. Não é criar polêmica, mas é fazer o indivíduo pensar. Ele diz pra mim: Quando uma pessoa lê um livro que a gente escreveu e ela fica preocupada, algumas noites sem dormir, quando aquilo a incomoda é porque está dando resultado.

PRETOS VELHOS, ÍNDIOS E CABOCLOS

No movimento espírita, ainda existe certo preconceito nesse sentido, quando as pessoas classificam os pais velhos como espíritos inferiores. Outro dia uma pessoa me disse que um preto velho não precisaria se apresentar na sessão com aqueles trejeitos, aqueles vestuários. Aí eu fiz uma séria brincadeira com ela: "Então alguém precisa dizer para Joanna de Ângelis que ela não precisa aparecer de freira para Divaldo. " É uma questão de preferência do espírito! Por que Joanna se apresenta daquela maneira? Emmanuel justifica a aparência dele como senador porque, segundo ele, foi a encarnação em que ele mais cresceu, em que ele teve contato direto com Jesus. Temos que entender que é uma preferência do espírito, que a maneira com que o espírito se apresenta é um vestuário. Há um livro de Divaldo Franco, Loucura e Obsessão, em que o próprio Bezerra de Menezes faz um atendimento num terreiro de umbanda como um preto velho.

Os livros Falando Francamente e A Hora da Verdade falam muito das chamadas inteligências do mal, ou seja, o mal organizado, aqueles espíritos vulgarmente conhecidos como magos negros, dragões. Os poucos espíritos que têm condições de lidar com esses espíritos são os pais velhos, que geralmente são os magos brancos, os quais, dentro das civilizações que já tiveram seu ciclo terminado na terra (Atlântida, Lemúria), têm o conhecimento da ciência. É evidente que existem outras questões, pois existem os pais velhos que morreram no tronco, e que morreram revoltados.

Em nossa casa, os pais velhos podem atender livremente, não temos preconceito. Lá temos de tudo. Aliás, acima de tudo está o Espiritismo com Kardec e Jesus, que é e sempre será a nossa base.

Um dia eu perguntei ao Klaus: — O Espiritismo está centrado na reforma íntima do ser humano, mas aqui, na nossa casa, nós temos atendimento em maca, cirurgia espiritual, atendimento de pai velho, apometria. Não estamos fugindo um pouco à proposta do Espiritismo? E ele me respondeu com uma imagem simbólica que eu achei maravilhosa e nunca mais esqueci. Ele disse: — Meu filho, imagine que você está na sua casa, um dia, meia noite, uma hora, e lhe dá uma dor de estômago, um mal estar, e você precisa ir para o pronto-socorro. O que é que eles vão fazer com você lá? — Ora, simples! Eles vão fazer uma ficha, vão pegar o meu nome, eu vou ficar numa sala de espera, e daí a algum tempo algum médico plantonista vai me atender. — Muito bem! E se chegar ao pronto-socorro uma pessoa que sofreu um acidente e que está com traumatismo craniano, baço perfurado e hemorragia interna? O atendimento vai ser o mesmo? — Não. Ele vai direto para a sala de cirurgia e vão tentar salvar a vida. Depois eles vão ver quem é, vão fazer a ficha. — Muito bem! As pessoas que chegam ao centro estão cansadas. Elas estão sofridas. São pessoas com depressão, angustiadas, e esse socorro que a gente oferta, do tratamento em massa, da cirurgia espiritual, é tratamento de emergência. É o tratamento para quem chega em estado grave. Posteriormente nós vamos falar da importância da doutrina, da necessidade do Espiritismo para que a própria pessoa possa se curar.

Algumas pessoas chegam aos centros falando que estão passando mal e logo um dono da verdade diz: Leia no Livro dos Espíritos a questão tal. Ora! Naquele momento não interessa o que Kardec disse. Nós temos que saber qual o problema da pessoa dentro da nossa realidade. Ela está à beira de um suicídio, a ponto de matar alguém. Ela precisa se sentir amada, precisa sentir afeto. Depois nós passamos a Doutrina Espírita para ela. As casas espíritas precisam pensar nesse sentido.

OBSESSÕES COMPLEXAS

Hoje nós estamos vivendo um período em que as obsessões modernas estão muito presentes no nosso cotidiano, porque realmente há uma evolução.

O problema é que a maioria de nós tem um conceito de que espírito obsessor é burro, é ignorante, e não é. Quando nós falamos das inteligências do mal, estamos falando de espíritos que têm um profundo conhecimento da ciência. Muitos desses espíritos foram degredados de Capela e movem essa guerra contra as ideias do Cristo. Nós vivemos um momento muito delicado da evolução planetária. Esses espíritos já foram advertidos que o tempo está se esgotando.

Existem espíritos que não conseguem mais reencarnar. No livro Senhores da Escuridão, de Robson Pinheiro, espíritos iluminados citam a lua como um lugar onde estão espíritos que ainda não foram encaminhados, pois existe um planeta específico para eles, o que também não é novidade. Chico Xavier falou desse planeta quando o chamou de "planeta chupão", que está se aproximando da Terra e vai causar algumas situações complicadas para a humanidade. Por uma questão de vibração, quando esse planeta passar, vai atrair todos os espíritos que estiverem na faixa vibratória de rancor, ódio, mágoa, os quais serão automaticamente atraídos para ele. Será a fase final da separação do joio do trigo, a fase final do degredo que nós sabemos que já está acontecendo.

PRESENÇA DE KLAUS

Klaus não está presente, mas sim José Lázaro, que trabalha com ele. Não sei se vocês conhecem o livro Batalha Final, que fala da política brasileira, do que está acontecendo nos bastidores do planeta Terra, inclusive no Brasil, da questão da educação, de como as inteligências do mal estão tentando intervir no progresso da humanidade, de um político brasileiro, de um traficante de drogas muito famoso aqui no Brasil e da ligação deles.

Falo isso porque, para as inteligências do mal, o tráfico de drogas é muito importante. Isso porque um jovem que cai nas malhas da dependência química não precisa de obsessor. Este se afasta e vai cuidar de outra coisa, pois as drogas fazem o papel que caberia a ele. Eles têm interesse em ter uma geração de dependentes.

TRANSIÇÃO PLANETÁRIA

A transição planetária é um processo natural. Em A Marca da Besta, Robson Pinheiro faz uma análise do apocalipse de Jó, de todas aquelas tragédias previstas no Apocalipse. O espírito Ângelo Inácio explica que elas acontecerão na Terra. Teremos então o fim do mundo? De certa forma, sim.

Nós teremos o fim de um mundo velho para o nascimento de um mundo novo. Isso não vai impedir que passemos por situações difíceis. Ainda teremos muitos tsunamis, vulcões em erupção. Há uma previsão de Divaldo Franco que, em 2050, as nações estarão guerreando por causa da água, não mais por petróleo. Então, eu perguntei ao Klaus: Por que isso? O homem tem que passar por isso?

Boa parte desses acontecimentos faz parte do processo de evolução natural do planeta, e acontece em todos os planetas do universo. O homem, porém, poderia ter evitado tudo isso se tivesse cuidado mais do planeta, se tivesse protegido mais a própria espécie humana. Ele não precisava passar por tanto sofrimento assim.

Mas temos que nos desesperar?

De maneira alguma. Lembremos o que disse Jesus nas Bem Aventuranças: "Bem aventurado os mansos e pacíficos, pois eles herdarão a Terra". Isso significa que Jesus está no comando, que tudo está acontecendo com a atenção do Cristo, pois ele é o governador espiritual da Terra. Então não há razão para o desespero e, se ele disse que os mansos e pacíficos herdarão a Terra, é porque o mundo não vai acabar.

Nós passaremos, sim, por um processo difícil, mas de transformação e todo processo de transformação gera uma inquietação, basta ver o nosso processo. Todo mundo que quer melhorar passa por esse processo, pois somos espíritos que permanecem há séculos na maldade, na ociosidade, e agora queremos mudar, e isso gera um desconforto. Nós queremos, mas ainda não temos força, e isso gera uma guerra dentro de nós.

MEDIUNIDADE E INSEGURANÇA

Todos os médiuns são inseguros. Não há nenhum médium que não tenha insegurança. Às vezes, eu levo 4, 5 horas para escrever um capítulo.

Eu sou avesso a computador, então eu ainda psicografo meus livros na máquina de escrever. Isso me gera problemas, pois a máquina de escrever não tem delete. Às vezes Klaus diz:

— Meu filho, não ficou bom.

— Qual parte não ficou bom? Diga que eu risco.

— Não. Não ficou bom tudo. Vamos escrever de novo.

Estou dizendo isso para tranquilizá-los, pois existem bons médiuns por aí que têm um bom conhecimento e usam aquela frase: "Quem sou eu?" É um endividado que precisa trabalhar. Nós, médiuns, somos endividados que precisamos trabalhar. Então precisamos vencer a insegurança.

Chico Xavier psicografava com um espírito em uma mão, outro em outra, e ainda dava uma mensagem psicofônica. Mas isso era Chico Xavier! Nós outros, médiuns, temos essas incertezas, ansiedades, esse medo: o que é do espírito? O que é meu?

Debato muito com o Klaus e, quando digo que um raciocínio parece meu, ele responde:

— Esse trabalho é de parceria. Fique tranquilo. O processo anímico na mediunidade é natural.

Vocês sabiam que muitos textos de Klaus ele não psicografa de corpo presente? Ele é médico, trabalha num hospital, no plano espiritual, e tem muitos afazeres. Quando eu durmo, não sei como ele me leva, não sei onde é o lugar, de que jeito acontece. Eu não vou saber dizer, porque eu não guardo essa consciência, mas eu sei que nós vamos para um determinado lugar. Ele senta e diz: Amanhã eu quero que você escreva isso e isso.

Ele me diz o que ele quer e quando eu acordo passo para o papel. Depois ele vem conferir. Então eu digo aos médiuns iniciantes: Vão em frente! Trabalhem!

E as minhas dúvidas? Vamos continuar lutando. São dúvidas de todos os dias, mas nós temos que produzir. A espiritualidade quer isso. Por isso, quando foi definir o espírita, Kardec foi muito feliz: ele não disse que os espíritas são almas santificadas. Ele disse que o verdadeiro espírita é aquele que se esforça para mudar. A luta é grande.

SENTIMENTOS

Como a coisa é complicada nessa área do sentimento!

As obras de Inácio Ferreira, através de Barcelli, de Ermance Dufaux, através de Wanderley de Oliveira, e até mesmo as de Divaldo Franco, falam sobre a situação difícil em que se encontram muitos espíritas desencarnados do lado de lá. E eram espíritas atuantes, que se dedicaram! Por quê? Por causa dessa questão do sentimento.

Dr. Klaus, certa vez, me fez a pergunta:

— Quem é Agnaldo?

— Eu sou presidente do Centro Caminho de Damasco há 18 anos, tenho quatro filhos... Aí ele disse:

— Eu não estou perguntando sobre os papéis que você representa. Eu estou perguntando quem é o ser, a alma. E quando tirei tudo isso, não sobrou muita coisa.

É muito importante o trabalho que você faz, os livros que você psicografa, mas nunca esqueça: é preciso saber qual é o trabalho que você está fazendo dentro de você mesmo.

Fizemos uma palestra intitulada Quartinho dos Fundos, em que falamos de sentimento. Nessa palestra, fizemos a seguinte proposta: temos que estudar o Espiritismo pra fora, mas também temos que estudar o Espiritismo pra dentro; temos que rever nossos conceitos, nossa postura íntima. É muito difícil falar disso, mas tem muita gente fazendo a caridade por egoísmo, por orgulho. Qual é a pergunta principal? Qual é o sentimento que está me movimentando?

Vamos dar um exemplo: você é o dirigente da casa e uma nova trabalhadora foi colocada na mediúnica para trabalhar. Aí eu chego pra você e digo: Você colocou fulana na sessão para trabalhar. Olha lá... Ela está um pouco perturbada. Eu acho que não é hora... Qual é a pergunta principal: preocupação com a casa? Preocupação com o novo trabalhador? Ou inveja?

Nós temos trabalhado essa temática em nossas palestras e nos livros. No livro Contato Imediato, a Alteridade como base nos relacionamentos, o Espírito José Lázaro narra uma história verídica de um grupo espírita que foi atacado pelas trevas e ele ressalta o que provocou esse ataque: os melindres, a fofoca, o ciúme.

VIDA FAMILIAR

Se não fosse a minha esposa, nós não estaríamos fazendo um trabalho tão gigantesco como fazemos, pois eu viajo o ano todo. Minha esposa é espírita e trabalha na creche em Botuporanga, onde temos 150 crianças, e que recebe toda a renda da venda dos livros. A creche se chama Benedita Pimentel, um espírito carinhoso que me acompanha há muito tempo. Ela é nossa mãezona e cuida carinhosamente da creche. Minha esposa também cuida da editora. Tenho quatro filhos. Minha filha Aline, com 15 anos, trabalha na mediúnica, provando aos dirigentes mais conservadores que mediunidade não tem idade, é idade na maturidade. Naturalmente nós temos que tomar alguns cuidados, mas tem muita gente de 30, 40 anos, que é ainda criança, não tem responsabilidade alguma. Evidentemente temos que tomar cuidado, pois um jovem tem que priorizar os estudos, a profissão... Cada caso é um caso. Em termos de família, é isso: eu viajo e minha esposa cuida de tudo. Ela me proporciona essa possibilidade de viajar.

Em nossa casa nós temos três sessões mediúnicas, mais a cirurgia espiritual e o trabalho social. Quando estou, participo de todos. Quando viajo, existem pessoas responsáveis para me substituir, exceto a cirurgia espiritual, que é o único trabalho que não é feito quando eu não estou, pois eu sou o médium que Klaus utiliza. Klaus me autoriza a faltar três vezes ao ano, pois vêm muitas pessoas de outras cidades e nós não podemos estar suspendendo o trabalho.

Raramente Klaus me acompanha durante as viagens. Ele diz que quem foi convidado para as palestras fui eu, ele já escreveu o livro, então, agora, eu faça a minha parte. Nas viagens que eu faço há uma equipe espiritual. Tem o espírito que cuida da segurança, comanda os soldados espirituais. Vez ou outra, Klaus aparece para deixar uma mensagem. Cirurgia espiritual ele só faz no nosso Centro.

COMPORTAMENTO DO MÉDIUM

É preciso haver bom senso. Não estamos dizendo que a disciplina é ruim, mas o excesso de disciplina tira a espontaneidade do médium, e é aí que está o detalhe. Se o médium faz um movimento mais brusco, está obsidiado. Agora imagine um médium dando comunicação de um espírito que morreu queimado. Como é que o espírito vai se comportar? É natural que o médium tenha movimentos mais bruscos! Em nossa casa, não temos mais a mesa mediúnica, temos colchonetes no chão, pois, às vezes, é necessário que o médium se deite no chão para algumas incorporações. O que podemos considerar como disciplina é o fato do médium nunca ter agredido o doutrinador, pois o bom médium não é aquele que cerceia o espírito, mais aquele que sabe até onde pode deixar o espírito ir. Por exemplo, não pronunciar palavras de baixo calão, pois não tem necessidade. Aí entra a disciplina do médium. Nós temos que distinguir o que é disciplina e o que é espontaneidade, pois são coisas diferentes.

Às vezes, tem-se uma sessão mediúnica onde só o dirigente incorpora o guia e os outros ficam olhando. Fica uma sessão mediúnica chata, o médium não vê a hora que ela acabe e isso acaba com o trabalho. Tem-se o engessamento do médium.

No livro Os Dragões, Maria Modesto Cravo diz: "O movimento espírita é uma grande enfermaria, com um bando de doentes que pensam que são médicos." É o nosso caso.

Nós temos que considerar sempre os dois lados. Klaus sempre me diz para explicar bem, para não dar margem à interpretação dúbia. Existe o outro extremo. Um amigo me contou que um espírito incorporou numa médium na sessão e ela deu um grito tão forte que o espírito se afastou e disse "Eu sou obsessor, mas não sou escandaloso assim não. Quando você acabar, eu volto e falo o que eu quero".

Tem a questão da parte anímica, um fantasma para os médiuns. Dr. Inácio fala sobre animismo como um processo natural. Há muita coisa que precisamos conhecer, mas, para isso, precisamos ter a mente aberta. Kardec não fechou todas as questões. Por isso vieram André Luiz, Ivone do Amaral Pereira e outros espíritos e médiuns.

Você sabia que esse negócio de pureza doutrinária é um conceito que as trevas resolveram semear no movimento espírita? Existem muitos centros que proíbem livros que falam das trevas. Então, não conhecendo, você não sabe o mecanismo de funcionamento.

As inteligências do mal têm atuado muito na mídia. Um exemplo é a gripe suína. É claro que houve o problema, mas não na proporção mostrada. Surgiu do dia pra noite e sumiu. Foi uma obsessão coletiva.

AFETIVIDADE ENTRE MEMBROS DA EQUIPE DE DESOBSESSÃO

Nós aprendemos que as trevas ensinam espíritos a imitar os guias aqui na terra. A classe mais procurada é a que imita Bezerra de Menezes.

Kardec alerta que, quando você quiser saber se uma mensagem é verdade ou não, observe o conteúdo. Só que existem espíritos muito inteligentes, que falam muito bonito e, lá no meio da comunicação, é que eles deixam o veneno. O espírito inferior pode mudar sua caligrafia, sua aparência, mas tem algo que ele não consegue mudar, que é sua vibração. O espírito inferior tem uma vibração negativa, aí entra na afetividade. Se um espírito inferior entra num grupo com interesse de enganar, e esse grupo que está enfrentando muitos momentos difíceis, muitos melindres, ele vai enganar todo mundo.

Por outro lado, se ele entra num grupo com laços de afeto, uma amizade verdadeira, o grupo vai se sentir incomodado. Klaus coloca como a coisa mais importante a união dos seus trabalhadores.

VOLTANDO À INSEGURANÇA

A insegurança retrata responsabilidade. O médium não pode fazer de qualquer jeito.

Os guias adoram deixar a gente atormentado. Eu odeio viajar de avião e uma vez eu perguntei a Klaus, incorporado em outro médium:

— Está na minha programação encarnatória alguma coisa com acidente de avião?

E ele respondeu:

— Não, meu filho, não tem nenhuma programação neste sentido.

— Graças a Deus!

— Mas, espera aí! Se você estiver no aeroporto errado, no voo errado...

OBSESSÃO INFANTIL

Precisamos entender que nossas crianças são espíritos velhos, que podem sofrer o assédio. Meu filho, com quatro anos, levantou uma manhã e não ficou de pé, caiu. Pensamos que era paralisia infantil, levamos ao médico, que não achou nada. Fizemos então uma sessão mediúnica na minha casa mesmo e o médium atraiu um espírito que estava com ele em forma de cobra, e que havia sido colocada com ele para me atingir. O espírito havia se enrolado nas pernas dele. Na hora em que o médium incorporou, ele rolava no chão. O dirigente conservador vai dizer que isso é indisciplina. Cinco minutos depois meu filho estava correndo.

Apesar de termos percebido que a grande parte das obsessões espirituais em crianças é consequência do desequilíbrio dos pais, é o lar que está atormentado, e a criança, como é mais sensível, acaba captando isso. Pode ser até mesmo um chamamento para os pais. Por isso a gente recomenda a Evangelização infantil, pois ali há um espírito velho que traz suas lutas, seus problemas, suas dificuldades, seus problemas. A gente tem aquela ideia, que não é verdadeira, que a criança tem proteção espiritual. Proteção espiritual todos nós temos, mas cada um tem sua história, sua luta, e existem espíritos tão endividados que começam cedo. E merece dos pais maior atenção, dentro do lar principalmente.

Muitas mães falam que a criança vê vultos à noite, não dorme direito. Aí eu pergunto: como é seu marido? Ele bebe? A mãe fala alto? Então a criança está captando a vibração do ambiente.

Existem poucas obras falando sobre o assunto. Tem uma recente de Suely Caldas Schubert.

PERCEPÇÃO

Nós atendemos a alguns casos bem complicados. E Klaus diz que os médiuns têm que aprender a pensar. É fácil alguém dizer o que se tem que fazer. A parceria tem que ser não só entre o médium e o espírito, mas entre os médiuns. Temos que desenvolver a percepção.

MENSAGEM FINAL

Eu fico muito feliz de estar aqui, muito alegre pela oportunidade. Meu desejo é que o Seminário possa dar um bom resultado, e um bom resultado não é vocês saírem felizes, mas ficarem, pelo menos, umas duas noites sem dormir.